O governo da Universidade Autônoma de Chiapas

 

 

O capítulo de Nestor Montes Garcia mostra, com detalhes que indicam o agir grotesco de grupos posicionados no interesse particularista e o desinteresse acadêmico, a forma em que a OAXACA foi passando, de tumbo em tumbo, até se tornar uma das últimas instituições no cenário nacional.

O capítulo de Rosana Santiago García, "O governo da Universidade Autônoma de Chiapas, um olhar local", nos indica a forma em que os "grupos de status" têm disputado o controle da universidade chiapaneca, com pouco ou nenhum interesse para o desenvolvimento acadêmico da instituição.

O papel do governo estadual tem sido o de manter quadros de confiança na reitoria, com o fim de ter o controle sobre a universidade. Nesse contexto, a rivalidade entre os grupos é o recurso que se utiliza para fazer da universidade um trampolim que permite o acesso a cargos na administração do governo estadual. Pelo menos isso aconteceu até a chegada de Paulo Salazar para o governo de Chiapas, com o qual se interrompe a continuidade da gestão universitária e do governo estadual.

Heuring

A Universidade Autônoma de Chiapas (UNACH) tem estado sujeita a um conflito intergrupal, que busca o controle administrativo da instituição, com o qual manteve uma relação de "proximidade" com o governo estadual. Isso lhe permitiu obter incrementos de subsídio e construir extensões nas principais cidades do estado.

Santiago García oferece uma panorâmica do desenvolvimento histórico da UNACH, com o qual temos elementos para conhecer a importante função educativa, que tem no estado de Chiapas, bem como a importância política e educativa que lhe foi atribuído esse governo.

De acordo com  tcc sem drama, o conflito intergrupal foi fator de atraso acadêmico para a UNACH, embora tenha mantido uma relação de convivência com os governos estaduais, priístas e não priístas. Faz-Se necessário, então, criar as condições para que os grupos de status aceitem ou se subordinem a um projeto acadêmico, que permita um avanço efetivo da UNACH.

O artigo de Edurardo Ibarra Vazado "Democracia, regulação e governança: desafios para a universidade em tempos neoliberais", nos adverte que é urgente a revitalização de um clima democrático no México, e que, nesse esforço, as universidades podem desempenhar um papel relevante, se é que elas, por sua vez, estabelece as condições de governança e de participação democrática.

É indispensável dar um novo fôlego à universidade através de três fatores básicos: a autonomia, o financiamento e a organização democrática interna, que deve ser baseada em comunidades acadêmicas com projetos e interesses diversos, que, para expressar-se e desenvolver-se, devem despojar-se do trabalho rotineiro e burocrático que predomina em grande parte das universidades do país.

O problema do México é que passou de um regime burocrático autoritário para um livre mercado, que não tem os controles e regulamentos necessários para gerar bem-estar e democracia social. Diante disso, é urgente discutir como deve ser a governança democrática no país.

No caso das universidades públicas, propõe-se o fortalecimento dos seguintes eixos: primeiro, "o reconhecimento das novas condições (sociais, econômicas e políticas) em que opera a universidade"; segundo, a consolidação das comunidades acadêmicas, que devem propor e executar programas e projetos; terceiro, maior vontade política (interna e externa) que favoreça a integração plural de grupos, exceda o trabalho atomizado e rotineiro, e permite, finalmente, o fortalecimento democrático da universidade